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Modelo de Testamento em Vida para Decisões de Saúde

Entenda como funciona o modelo de testamento em vida, em quais situações ele ajuda a registrar preferências de saúde e quais informações devem constar. Veja cuidados jurídicos, orientações para preencher e um texto editável para personalizar conforme suas escolhas.

Publicado em 16 min de leitura
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Modelo de Testamento em Vida para Decisões de Saúde
Sumário
  1. 01 O que é testamento em vida e para que serve
  2. 02 Testamento em vida não é testamento de bens
  3. 03 Quando usar um modelo de testamento em vida
  4. Situações em que o documento pode ser útil
  5. 04 O que não pode faltar no documento
  6. Dados e declarações essenciais
  7. 05 Passo a passo para preencher o documento
  8. 06 Modelo de Modelo de Testamento em Vida para Decisões de Saúde
  9. 07 Tipos e variações de diretivas antecipadas
  10. Declaração geral de valores e objetivos
  11. Diretivas específicas sobre tratamentos
  12. Indicação de interlocutor de saúde
  13. 08 Cuidados jurídicos e erros comuns
  14. 09 Como guardar, atualizar e apresentar a declaração
  15. 10 Perguntas frequentes sobre modelo de testamento em vida
  16. O testamento em vida permite decidir sobre meus bens?
  17. Posso mudar de ideia depois de assinar?
  18. Preciso reconhecer firma em cartório?
  19. É obrigatório nomear um representante?
  20. O documento obriga médicos a executar qualquer escolha escrita?
  21. Quem pode assinar o modelo de testamento em vida?
  22. 11 Referências
  23. 12 Vídeo explicativo
  24. 13 Aviso importante

O modelo de testamento em vida, também chamado de testamento vital ou diretivas antecipadas de vontade, ajuda a registrar previamente as preferências de uma pessoa sobre cuidados e tratamentos de saúde. Seu objetivo é orientar familiares e profissionais de saúde se o declarante perder, de forma temporária ou permanente, a capacidade de expressar decisões conscientes.

Apesar do nome, esse documento não distribui bens nem substitui o testamento sucessório previsto no Código Civil. Trata-se de uma declaração voltada à autonomia do paciente em situações clínicas delicadas. O modelo editável desta página oferece uma base para formalizar escolhas de modo claro, responsável e compatível com a realidade de cada pessoa.

O que é testamento em vida e para que serve

O testamento em vida é uma declaração pessoal na qual alguém maior e capaz manifesta suas vontades a respeito de intervenções, tratamentos e cuidados de saúde que deseja aceitar, limitar ou recusar caso não possa decidir por conta própria no futuro.

Ele costuma ser utilizado em cenários de doença grave, condição irreversível, estado clínico avançado ou perda de consciência, sempre observadas a avaliação médica, as regras éticas profissionais e a legislação aplicável. O documento não autoriza condutas ilícitas e não determina que profissionais atuem contra os deveres técnicos e legais da medicina.

Na prática, a declaração busca reduzir incertezas. Quando há um texto objetivo, familiares, representantes e equipe assistencial conseguem conhecer as preferências do paciente e dialogar com maior segurança sobre as alternativas terapêuticas disponíveis.

“Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.”

Código Civil, art. 15

Esse dispositivo está disponível no texto consolidado do Código Civil e reforça a relevância da autonomia nas decisões relacionadas à própria saúde, sem afastar a análise de cada caso concreto.

Testamento em vida não é testamento de bens

O uso da palavra “testamento” pode causar confusão. O testamento sucessório é o instrumento usado para dispor sobre patrimônio e produzir efeitos após a morte, observados os requisitos legais aplicáveis. Já o testamento em vida tem finalidade assistencial: registrar preferências enquanto a pessoa ainda está viva, para uma eventual incapacidade futura de comunicação ou decisão.

DocumentoFinalidade principalMomento de eficáciaConteúdo típico
Testamento em vidaOrientar decisões de saúdeDurante a vida, em incapacidade decisóriaPreferências de cuidados e tratamentos
Testamento sucessórioDispor sobre patrimônioApós a morteHerdeiros, legados e bens
ProcuraçãoConferir poderes de representaçãoConforme os poderes concedidosAtos específicos ou gerais
Declaração de saúdeInformar uma condição ou fatoConforme sua finalidadeInformações pessoais ou clínicas

Também é possível indicar uma pessoa de confiança para atuar como interlocutora perante a equipe médica. Essa indicação não elimina a necessidade de respeitar as vontades registradas nem substitui a análise clínica. Quando o declarante deseja atribuir poderes formais de representação, é recomendável avaliar a elaboração de instrumento adequado com orientação jurídica.

Quando usar um modelo de testamento em vida

Qualquer pessoa maior de idade e capaz pode avaliar a conveniência de elaborar esse documento. Não é preciso estar doente para registrar preferências. Muitas pessoas o fazem preventivamente, depois de refletir sobre valores pessoais, qualidade de vida e limites que consideram aceitáveis em tratamentos invasivos.

Situações em que o documento pode ser útil

  • Planejamento pessoal para eventual incapacidade de comunicação;
  • Diagnóstico de doença crônica, degenerativa ou potencialmente incapacitante;
  • Preparação para procedimento médico de maior complexidade;
  • Desejo de orientar familiares sobre cuidados paliativos e conforto;
  • Necessidade de reduzir conflitos entre pessoas próximas diante de escolhas médicas difíceis;
  • Indicação de um interlocutor de confiança para dialogar com a equipe assistencial.

O documento não deve ser encarado como uma decisão definitiva e imutável. Enquanto tiver capacidade para manifestar uma vontade livre e esclarecida, o declarante pode alterar ou revogar suas escolhas. Além disso, em uma situação concreta, a manifestação atual e consciente do paciente prevalece sobre o conteúdo anteriormente escrito.

O que não pode faltar no documento

Um texto genérico demais pode gerar dúvidas e dificultar sua utilização. Por isso, a redação deve identificar com precisão o declarante, demonstrar que a manifestação é voluntária e indicar as preferências de forma compreensível. Não é necessário tentar prever todas as situações clínicas possíveis; é mais útil registrar princípios e escolhas relevantes para a pessoa.

Dados e declarações essenciais

  • Identificação completa: nome, nacionalidade, estado civil, profissão, documento de identidade, CPF e endereço;
  • Capacidade e liberdade: declaração de que o texto é feito de forma consciente, voluntária e sem coação;
  • Finalidade: indicação de que as diretivas se aplicam caso haja incapacidade de manifestar vontade;
  • Preferências de cuidado: valores, limites e desejos quanto a tratamentos, conforto, alívio da dor e suporte assistencial;
  • Tratamentos específicos: se houver, indicação clara sobre medidas que a pessoa deseja ou não deseja receber, evitando expressões contraditórias;
  • Representante ou interlocutor: nome e dados de contato da pessoa escolhida, se essa for a vontade do declarante;
  • Revogação: previsão de que o documento pode ser alterado ou revogado pelo próprio declarante enquanto capaz;
  • Data e assinatura: local, data e assinatura, preferencialmente com testemunhas.

Informações de saúde são dados pessoais sensíveis. Caso o documento mencione diagnósticos, histórico médico ou outras informações clínicas, seu armazenamento e compartilhamento exigem cautela. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais classifica dados referentes à saúde como dados pessoais sensíveis. Entregue cópias apenas a pessoas e instituições que precisem conhecê-las.

Passo a passo para preencher o documento

Antes de preencher, reserve tempo para refletir sobre seus valores. Conversar com médico de confiança, familiares e advogado pode ajudar a compreender consequências práticas das escolhas e reduzir ambiguidades. O modelo editável desta página deve ser adaptado, e não assinado sem leitura cuidadosa.

  1. Identifique-se corretamente. Preencha todos os dados pessoais e confira se CPF, documento de identidade e endereço estão atualizados.
  2. Descreva sua manifestação de vontade. Declare que está em pleno discernimento e que registra as diretivas por decisão livre.
  3. Defina princípios de cuidado. Indique, por exemplo, a importância que atribui a conforto, controle da dor, dignidade, presença familiar ou tratamentos proporcionais ao quadro clínico.
  4. Especifique preferências clínicas com clareza. Se optar por mencionar procedimentos, use linguagem prudente e condicione as decisões à avaliação médica e à legislação aplicável.
  5. Indique pessoa de confiança, se desejar. Informe nome completo, CPF, telefone e vínculo com você. Avise essa pessoa antes de incluí-la no documento.
  6. Inclua a cláusula de atualização. Registre que poderá modificar ou revogar o texto a qualquer momento, enquanto conservar capacidade para isso.
  7. Assine e colha testemunhas. Embora cada situação mereça análise própria, testemunhas podem reforçar a prova da manifestação livre. Evite escolher pessoas com potencial conflito de interesse.
  8. Guarde e comunique. Entregue cópias a familiares de confiança, representante indicado e, quando pertinente, médico ou serviço de saúde.

Modelo editável

Modelo Editável Aqui

Clique em “Editar documento” para preencher os campos entre colchetes. As alterações ficam salvas apenas neste navegador.

DECLARAÇÃO DE DIRETIVAS ANTECIPADAS DE VONTADE
TESTAMENTO EM VIDA


Eu, [NOME COMPLETO], [NACIONALIDADE], [ESTADO CIVIL], [PROFISSÃO], portador(a) do RG nº [NÚMERO DO RG], inscrito(a) no CPF sob o nº [NÚMERO DO CPF], residente e domiciliado(a) à [ENDEREÇO COMPLETO], [CIDADE] – [UF], CEP [CEP], doravante denominado(a) DECLARANTE, em pleno gozo de minhas faculdades mentais e de forma livre, consciente, informada e sem qualquer coação, firmo a presente DECLARAÇÃO DE DIRETIVAS ANTECIPADAS DE VONTADE, também denominada testamento em vida, nos termos dos itens seguintes.


1. DA FINALIDADE DA DECLARAÇÃO

1.1. A presente declaração tem por finalidade registrar minhas preferências, valores e orientações relacionadas aos cuidados e tratamentos de saúde que desejo receber, limitar ou recusar caso eu venha a ficar impossibilitado(a), temporária ou permanentemente, de manifestar minha vontade de forma livre, consciente e compreensível.

1.2. Esta declaração deverá ser considerada por meus familiares, pela pessoa por mim indicada como interlocutor(a) de saúde, quando houver, e pelos profissionais e serviços de saúde envolvidos em meu atendimento, sempre observadas as circunstâncias clínicas, as normas éticas profissionais, a legislação brasileira e a avaliação técnica da equipe assistencial.


2. DA MANIFESTAÇÃO LIVRE E ESCLARECIDA

2.1. Declaro que compreendo que as decisões sobre tratamentos e cuidados de saúde dependem da análise do meu estado clínico concreto por profissionais habilitados.

2.2. Declaro que esta manifestação expressa meus valores pessoais e minhas preferências atuais, tendo sido elaborada após reflexão sobre eventuais situações de doença grave, incurável, progressiva, irreversível ou de incapacidade para comunicação e tomada de decisões.

2.3. Declaro, ainda, que nenhuma disposição desta declaração deverá ser interpretada como pedido, autorização ou exigência de prática contrária à legislação, à ética profissional ou aos deveres técnicos dos profissionais de saúde.


3. DOS VALORES E OBJETIVOS DE CUIDADO

3.1. Caso eu esteja em situação clínica na qual não possa expressar minha vontade, desejo que sejam considerados, como orientações prioritárias para meu cuidado, os seguintes valores e objetivos: [DESCREVER VALORES PESSOAIS, TAIS COMO CONFORTO, ALÍVIO DA DOR, PRESERVAÇÃO DA DIGNIDADE, POSSIBILIDADE DE COMUNICAÇÃO, PRESENÇA DE FAMILIARES, QUALIDADE DE VIDA OU OUTROS].

3.2. Desejo receber cuidados apropriados de conforto, acolhimento, higiene, alimentação e hidratação conforme avaliação clínica, controle de sintomas, alívio da dor e demais medidas de cuidado compatíveis com minha condição de saúde e com a legislação aplicável.


4. DAS PREFERÊNCIAS SOBRE TRATAMENTOS E PROCEDIMENTOS

4.1. Na hipótese de doença grave, irreversível ou em estágio avançado, ou de condição clínica em que os tratamentos disponíveis sejam considerados desproporcionais ao meu quadro ou incapazes de oferecer benefício compatível com os valores declarados neste documento, manifesto as seguintes preferências: [DESCREVER DE FORMA CLARA AS PREFERÊNCIAS SOBRE TRATAMENTOS, INTERNAÇÃO, PROCEDIMENTOS INVASIVOS, MEDIDAS DE SUPORTE, REANIMAÇÃO, VENTILAÇÃO MECÂNICA, NUTRIÇÃO E HIDRATAÇÃO ARTIFICIAIS, SEDAÇÃO PARA CONTROLE DE SINTOMAS OU OUTRAS MEDIDAS].

4.2. Desejo que as decisões sobre tratamentos sejam tomadas com base em informações clínicas adequadas, mediante avaliação médica, considerando os riscos, os benefícios, o prognóstico e minha vontade expressa nesta declaração.

4.3. Caso haja dúvida razoável sobre a interpretação de alguma disposição deste documento, desejo que prevaleça a solução que melhor respeite minha dignidade, meus valores aqui registrados, o alívio do sofrimento e as normas éticas e legais aplicáveis.


5. DOS CUIDADOS PALIATIVOS E DO CONFORTO

5.1. Manifesto meu desejo de receber cuidados paliativos e medidas de conforto adequadas ao meu estado clínico, incluindo controle da dor e de outros sintomas, apoio emocional e assistência compatível com minhas necessidades, quando indicados pela equipe de saúde.

5.2. Desejo que meus familiares ou pessoas de confiança, na medida do possível e de acordo com as regras do serviço de saúde, sejam informados sobre meu estado clínico e possam participar das conversas relacionadas ao meu cuidado.


6. DA INDICAÇÃO DE INTERLOCUTOR(A) DE SAÚDE

6.1. Para auxiliar na comunicação de minhas preferências perante profissionais e instituições de saúde, indico como pessoa de confiança e interlocutor(a) de saúde: [NOME COMPLETO DO INTERLOCUTOR], [NACIONALIDADE], [ESTADO CIVIL], [PROFISSÃO], portador(a) do RG nº [NÚMERO DO RG], inscrito(a) no CPF sob o nº [NÚMERO DO CPF], residente e domiciliado(a) à [ENDEREÇO COMPLETO], telefone [TELEFONE] e e-mail [E-MAIL].

6.2. O(A) interlocutor(a) indicado(a) deverá buscar transmitir e defender minhas preferências constantes desta declaração, sem poder exigir conduta contrária à legislação, à ética profissional ou à avaliação técnica necessária ao caso.

6.3. Na impossibilidade, recusa, ausência ou impedimento do(a) interlocutor(a) acima indicado(a), nomeio como substituto(a): [NOME COMPLETO DO SUBSTITUTO], CPF nº [NÚMERO DO CPF], telefone [TELEFONE] e e-mail [E-MAIL].


7. DO ACESSO E DA CONFIDENCIALIDADE

7.1. Autorizo que cópias desta declaração sejam apresentadas aos profissionais e serviços de saúde responsáveis por meu atendimento, exclusivamente para conhecimento e consideração de minhas diretivas antecipadas de vontade.

7.2. Solicito que as informações pessoais e de saúde eventualmente relacionadas a esta declaração sejam tratadas com discrição e compartilhadas apenas com pessoas que necessitem conhecê-las para meu cuidado, representação ou apoio familiar legítimo.


8. DA REVOGAÇÃO E DA ATUALIZAÇÃO

8.1. Declaro que poderei alterar, substituir ou revogar esta declaração a qualquer tempo, desde que possua capacidade para manifestar minha vontade de modo livre e consciente.

8.2. Eventual nova declaração escrita e assinada por mim, com data posterior e disposição expressa de substituição ou revogação, deverá prevalecer sobre as versões anteriores naquilo que for incompatível.

8.3. Caso eu manifeste vontade atual, livre e consciente em sentido diverso do que consta neste documento, deverá ser considerada minha manifestação atual, respeitados os limites legais e clínicos aplicáveis.


9. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

9.1. Confirmo que li integralmente esta declaração, compreendi seu conteúdo e a firmo por refletir minha vontade pessoal.

9.2. Recomenda-se que este documento seja comunicado às pessoas de confiança do(a) DECLARANTE e, quando pertinente, apresentado ao médico ou ao serviço de saúde responsável por seu acompanhamento.

9.3. Firmo a presente declaração em [NÚMERO] vias de igual teor e forma, para que produza os efeitos compatíveis com sua finalidade.


[CIDADE] – [UF], [DIA] de [MÊS] de [ANO].



________________________________________

[NOME COMPLETO DO(A) DECLARANTE]

CPF nº [NÚMERO DO CPF]


TESTEMUNHAS


________________________________________

[NOME COMPLETO DA TESTEMUNHA 1]

CPF nº [NÚMERO DO CPF]

RG nº [NÚMERO DO RG]


________________________________________

[NOME COMPLETO DA TESTEMUNHA 2]

CPF nº [NÚMERO DO CPF]

RG nº [NÚMERO DO RG]


Observação: antes da assinatura, adapte os campos entre colchetes às preferências reais do(a) declarante. Em caso de dúvida sobre tratamentos, capacidade para manifestar vontade, indicação de representante ou formalização do documento, busque orientação profissional.

Modo leitura

Tipos e variações de diretivas antecipadas

Não existe uma única forma de organizar as escolhas. O conteúdo pode ser mais amplo, baseado em valores pessoais, ou mais detalhado, com referência a cuidados e procedimentos específicos. A melhor opção é aquela que consegue expressar a vontade real do declarante sem criar comandos confusos ou inviáveis.

Declaração geral de valores e objetivos

Nessa modalidade, a pessoa registra prioridades como conforto, preservação da dignidade, redução do sofrimento, possibilidade de comunicação e convivência com familiares. É uma alternativa útil para orientar decisões diante de cenários que não podem ser antecipados em detalhes.

Diretivas específicas sobre tratamentos

O texto pode mencionar preferências acerca de medidas de suporte, internação, reanimação, alimentação e hidratação artificiais, ventilação mecânica, sedação para controle de sintomas e outros recursos. Quanto mais específica for a orientação, maior deve ser o cuidado com a redação e com a compreensão de seus efeitos médicos.

Indicação de interlocutor de saúde

O declarante pode apontar alguém para transmitir seus valores e auxiliar a comunicação com a equipe assistencial. Essa pessoa deve ser confiável, estar informada sobre o documento e conhecer as preferências do declarante. É prudente indicar um substituto se o primeiro nomeado não puder atuar.

Cuidados jurídicos e erros comuns

O documento precisa resultar de uma decisão livre, informada e compatível com a ordem jurídica. Ele não pode ser usado para exigir práticas proibidas, para afastar atendimento de urgência sem análise do caso ou para impor uma escolha clínica desconectada da avaliação profissional. A equipe de saúde deve considerar o quadro concreto, os deveres éticos e as regras aplicáveis.

  • Confundir o documento com testamento patrimonial: decisões sobre bens, herança e sucessão exigem instrumento próprio.
  • Usar frases vagas: expressões como “não quero sofrer” são relevantes, mas devem ser complementadas por orientações mais objetivas.
  • Copiar decisões de terceiros: preferências sobre saúde são pessoais e precisam refletir valores do próprio declarante.
  • Não conversar com a pessoa indicada: o representante ou interlocutor deve compreender a responsabilidade e saber onde localizar o documento.
  • Esquecer de atualizar o texto: mudanças no estado de saúde, na composição familiar ou nas convicções podem justificar revisão.
  • Assinar sem entendimento: havendo dúvida sobre tratamentos ou consequências jurídicas, procure esclarecimento profissional antes da assinatura.
  • Manter o documento inacessível: uma declaração guardada sem que ninguém saiba de sua existência pode não ser localizada quando necessária.

Reconhecimento de firma e lavratura em cartório podem ser avaliados como medidas de reforço probatório, mas a necessidade e a forma adequada dependem do caso. Da mesma maneira, a presença de testemunhas pode contribuir para demonstrar a autenticidade e a livre manifestação de vontade. Para situações com doença complexa, incapacidade já instalada, conflito familiar ou dúvidas sobre representação, a consulta a advogado e médico é especialmente recomendável.

Como guardar, atualizar e apresentar a declaração

Depois de assinada, mantenha a versão original em local seguro e de fácil localização. Informe onde ela está arquivada e entregue cópias identificáveis às pessoas relevantes. Se houver prontuário ou acompanhamento médico contínuo, converse com o serviço de saúde sobre a possibilidade de registrar a existência do documento.

Ao alterar a declaração, o caminho mais seguro é elaborar uma nova versão completa, com data posterior, informando de forma expressa que ela substitui as anteriores. Em seguida, destrua ou recolha cópias antigas que possam causar confusão e comunique a atualização às pessoas que receberam o documento anterior.

Para preservar a privacidade, não envie o texto em grupos de mensagens nem o deixe exposto. Compartilhe-o somente com familiares, representante indicado, profissional de saúde ou instituição que tenham necessidade legítima de acesso. Mantenha também telefones de contato atualizados.

Perguntas frequentes sobre modelo de testamento em vida

O testamento em vida permite decidir sobre meus bens?

Não. O testamento em vida trata de preferências relacionadas a cuidados de saúde em caso de incapacidade de manifestação. A destinação de patrimônio, bens e herança deve ser tratada por instrumento sucessório apropriado, com observância das regras do Código Civil.

Posso mudar de ideia depois de assinar?

Sim. Enquanto estiver capaz de manifestar uma vontade livre e consciente, você pode revisar, substituir ou revogar o documento. Uma nova versão datada e clara, que revogue expressamente as anteriores, reduz o risco de interpretações conflitantes.

Preciso reconhecer firma em cartório?

Não há uma resposta única para todos os casos. O reconhecimento de firma pode reforçar a identificação da assinatura, mas não substitui a necessidade de uma manifestação livre e bem compreendida. Avalie a conveniência com orientação profissional, sobretudo quando houver contexto familiar ou clínico sensível.

É obrigatório nomear um representante?

Não. A indicação de uma pessoa de confiança é facultativa, mas pode facilitar a comunicação com a equipe médica quando o declarante não puder se expressar. Se fizer a indicação, escolha alguém que conheça suas preferências e que aceite exercer esse papel.

O documento obriga médicos a executar qualquer escolha escrita?

Não. As diretivas devem ser analisadas no contexto clínico, ético e jurídico aplicável. O documento não autoriza práticas ilícitas nem obriga profissionais a agir contra deveres técnicos. Seu papel é orientar a tomada de decisão e revelar a vontade do paciente.

Quem pode assinar o modelo de testamento em vida?

Em regra, o documento deve ser feito pela própria pessoa que manifesta suas escolhas, quando possui discernimento e capacidade para compreender o alcance da declaração. Em caso de dúvida sobre capacidade, doença grave ou situação de vulnerabilidade, busque apoio médico e jurídico antes de formalizar o texto.

Referências

  1. Código Civil — Lei nº 10.406/2002.
  2. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais — Lei nº 13.709/2018.
  3. Constituição da República Federativa do Brasil.

Vídeo explicativo

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Sobre o autor

SB

Editor e curador de modelos de documentos

Stefano Barcellos é editor do MSG Center e responsável pela curadoria dos modelos de documentos publicados no portal, com foco em linguagem clara, estrutura organizada e atualização constante do conteúdo.

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