Modelo de Relatório de Acidente de Trabalho Completo
Entenda como elaborar um relatório de acidente de trabalho claro e útil para o registro interno da empresa. Veja quando utilizar, quais dados reunir, cuidados com a apuração e um modelo editável para documentar o ocorrido e as medidas adotadas.
Sumário
- 01 O que é relatório de acidente de trabalho e para que serve
- 02 Quando usar o modelo de relatório de acidente de trabalho
- 03 Relação entre relatório interno, CAT e atendimento ao empregado
- 04 Informações que não podem faltar no documento
- 05 Checklist comparativo para organizar a apuração
- 06 Modelo de Modelo de Relatório de Acidente de Trabalho Completo
- 07 Como preencher o relatório passo a passo
- 08 Tipos e variações de relatório
- Relatório inicial de ocorrência
- Relatório de investigação interna
- Registro de quase acidente
- Relatório para terceiros
- 09 Cuidados e erros comuns ao registrar a ocorrência
- 10 Perguntas frequentes sobre relatório de acidente de trabalho
- O relatório de acidente de trabalho substitui a CAT?
- O trabalhador precisa assinar o relatório?
- Quem deve preencher o documento?
- É possível fazer o relatório depois do acidente?
- Devo anexar fotos e atestados médicos?
- O que fazer se houver divergência entre os relatos?
- 11 Como usar o modelo editável desta página
- 12 Referências
- 13 Vídeo explicativo
- 14 Aviso importante
O modelo de relatório de acidente de trabalho é um instrumento de registro interno usado para descrever, de modo objetivo e organizado, um evento ocorrido durante a atividade profissional ou em circunstância relacionada ao trabalho. Ele ajuda a empresa a preservar informações relevantes, orientar providências imediatas e apoiar a análise de prevenção.
Um relatório bem preenchido não substitui obrigações legais específicas, como a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), quando cabível. Ainda assim, é uma peça importante para registrar a versão inicial dos fatos, identificar envolvidos, reunir evidências e demonstrar que a organização adotou medidas compatíveis com a situação.
O que é relatório de acidente de trabalho e para que serve
O relatório de acidente de trabalho é um documento narrativo e administrativo. Nele, a empresa registra dados sobre o empregado ou prestador envolvido, local, data e horário da ocorrência, atividade desempenhada, circunstâncias conhecidas, consequências aparentes, atendimento prestado e providências adotadas.
Seu propósito principal é organizar a informação. A partir dele, a empresa pode encaminhar o trabalhador para atendimento, comunicar gestores, acionar a área responsável pela segurança e saúde no trabalho, avaliar riscos e decidir se há necessidade de emissão de CAT ou de outras comunicações.
O documento também favorece a prevenção. Ao comparar ocorrências semelhantes, a organização pode identificar falhas de procedimento, ausência de treinamento, inadequação de equipamentos, riscos físicos ou necessidade de rever rotinas operacionais.
“O acidente do trabalho será caracterizado tecnicamente pela Perícia Médica Federal.”
Lei nº 8.213/1991, art. 19
O enquadramento previdenciário e técnico de um evento não deve ser concluído apenas com base no relatório interno. Por isso, o texto deve relatar fatos verificáveis, sem antecipar responsabilidades, diagnósticos médicos ou conclusões jurídicas.
Quando usar o modelo de relatório de acidente de trabalho
O relatório deve ser aberto assim que a empresa tomar conhecimento de uma ocorrência com potencial relação ao trabalho. Mesmo eventos sem afastamento imediato podem demandar registro, especialmente quando houver lesão, mal-estar, quase acidente, dano a equipamento ou risco que exija correção.
É recomendável utilizá-lo nas seguintes situações:
- queda, corte, queimadura, choque elétrico, impacto ou outro evento com lesão aparente;
- mal-estar súbito durante a jornada, quando exigir atendimento ou remoção;
- acidente no deslocamento informado pelo trabalhador, para registro inicial dos fatos narrados;
- ocorrência com máquina, ferramenta, veículo, produto químico ou equipamento de proteção;
- quase acidente, isto é, fato que não causou lesão, mas poderia ter causado;
- situação que demande apuração interna, orientação de segurança ou revisão de procedimento.
A elaboração do relatório não depende de certeza sobre a causa. A empresa pode registrar que os fatos estão em apuração e complementar o documento posteriormente, preservando a data e a autoria de cada atualização.
Relação entre relatório interno, CAT e atendimento ao empregado
O relatório interno e a CAT têm finalidades diferentes. O primeiro reúne a narrativa administrativa e as evidências disponíveis; a segunda é a comunicação prevista na legislação previdenciária para hipóteses aplicáveis. Um não substitui o outro.
A Lei nº 8.213/1991 estabelece que a empresa deve comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente. Consulte o texto atualizado da legislação da seguridade social e normas relacionadas e obtenha orientação técnica quando houver dúvida sobre a obrigação no caso concreto.
Além do registro, a prioridade é proteger a pessoa envolvida. Isso pode incluir primeiros socorros por profissional habilitado, acionamento de serviço de emergência, comunicação a familiar quando apropriado, preservação do local e afastamento temporário da atividade de risco.
Dados de saúde exigem atenção especial. Informações médicas, laudos, diagnósticos e documentos de atendimento devem circular apenas entre pessoas que realmente precisem conhecê-los, com medidas adequadas de segurança. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais orienta o tratamento responsável de dados pessoais, inclusive os considerados sensíveis.
Informações que não podem faltar no documento
Um relatório útil precisa permitir que alguém que não presenciou a situação compreenda o que ocorreu e quais medidas foram tomadas. Evite campos genéricos demais ou espaço insuficiente para a narrativa.
O modelo editável desta página inclui campos para os elementos essenciais. Antes de finalizar, confira se constam:
- identificação completa da empresa, do trabalhador e, se houver, do setor ou tomador de serviços;
- data, horário e endereço ou área exata em que ocorreu o fato;
- função, atividade desempenhada e condições de trabalho no momento da ocorrência;
- descrição cronológica, objetiva e impessoal do evento;
- identificação de testemunhas e meios de contato internos, quando existentes;
- informação sobre equipamento, máquina, veículo, ferramenta ou produto envolvido;
- medidas de emergência, atendimento prestado e encaminhamentos realizados;
- providências preventivas, responsável designado e prazo para acompanhamento;
- nome, cargo e assinatura de quem elaborou e de quem revisou o registro.
Checklist comparativo para organizar a apuração
A tabela ajuda a separar o que deve ser anotado logo após o evento daquilo que pode ser complementado depois. O objetivo é evitar a perda de informações sem pressionar o responsável a formular conclusões precipitadas.
| Item | Registro imediato | Complementação posterior |
|---|---|---|
| Identificação da ocorrência | Data, horário, local e envolvidos | Confirmação de escalas e registros internos |
| Descrição dos fatos | Narrativa inicial e condições visíveis | Depoimentos e análise técnica |
| Atendimento | Primeiros socorros e encaminhamento | Documentos recebidos e retorno ao trabalho |
| Evidências | Fotos autorizadas, equipamentos e testemunhas | Relatórios de manutenção e treinamentos |
| Prevenção | Interdição ou correção urgente, se necessária | Plano de ação, responsáveis e prazos |
Modelo editável
Modelo Editável Aqui
Clique em “Editar documento” para preencher os campos entre colchetes. As alterações ficam salvas apenas neste navegador.
RELATÓRIO DE ACIDENTE DE TRABALHO
IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA
1. Razão social: [RAZÃO SOCIAL DA EMPRESA], inscrita no CNPJ sob o nº [CNPJ], com sede em [ENDEREÇO COMPLETO], neste ato representada por [NOME COMPLETO DO RESPONSÁVEL], [CARGO], elabora o presente RELATÓRIO DE ACIDENTE DE TRABALHO para registro interno da ocorrência descrita neste documento.
IDENTIFICAÇÃO DO TRABALHADOR ENVOLVIDO
2. Nome completo: [NOME COMPLETO]. CPF: [CPF]. RG: [RG E ÓRGÃO EXPEDIDOR]. Data de nascimento: [DATA DE NASCIMENTO]. Função: [FUNÇÃO]. Setor/área: [SETOR OU ÁREA]. Matrícula, se houver: [MATRÍCULA]. Tipo de vínculo: [TIPO DE VÍNCULO]. Jornada ou turno previsto para a data: [JORNADA OU TURNO]. Superior imediato: [NOME COMPLETO E CARGO].
IDENTIFICAÇÃO DA OCORRÊNCIA
3. Número interno do relatório: [NÚMERO DO RELATÓRIO]. Data da ocorrência: [DATA]. Horário aproximado: [HORÁRIO]. Data e horário em que a empresa tomou ciência: [DATA E HORÁRIO]. Local exato da ocorrência: [ENDEREÇO, SETOR, ÁREA, POSTO OU REFERÊNCIA]. A ocorrência aconteceu durante: [ATIVIDADE, DESLOCAMENTO, INTERVALO OU OUTRA SITUAÇÃO A SER DESCRITA].
ATIVIDADE EXECUTADA NO MOMENTO DO EVENTO
4. No momento da ocorrência, o trabalhador realizava a seguinte atividade: [DESCREVER ATIVIDADE]. O procedimento habitual informado para a atividade é: [DESCREVER PROCEDIMENTO, QUANDO APLICÁVEL]. Foram identificados os seguintes equipamentos, ferramentas, máquinas, veículos, materiais ou produtos envolvidos: [DESCREVER OU INFORMAR “NÃO IDENTIFICADOS”]. Equipamentos de proteção individual informados ou disponibilizados: [DESCREVER OU INFORMAR “NÃO SE APLICA”].
DESCRIÇÃO OBJETIVA DOS FATOS
5. Conforme informações obtidas no momento do registro, o evento ocorreu da seguinte forma: [DESCREVER OS FATOS EM ORDEM CRONOLÓGICA, COM LINGUAGEM OBJETIVA. INDICAR O QUE FOI OBSERVADO DIRETAMENTE E O QUE FOI RELATADO PELO TRABALHADOR OU POR TERCEIROS. NÃO ATRIBUIR CULPA, RESPONSABILIDADE OU DIAGNÓSTICO MÉDICO NESTE CAMPO].
5.1. Condições aparentes do local no momento ou logo após a ocorrência: [DESCREVER ILUMINAÇÃO, PISO, SINALIZAÇÃO, ORGANIZAÇÃO, CONDIÇÃO DO EQUIPAMENTO, CLIMA OU OUTRAS INFORMAÇÕES RELEVANTES].
5.2. Informações prestadas pelo trabalhador envolvido: [REGISTRAR DECLARAÇÃO RESUMIDA OU INFORMAR QUE O TRABALHADOR NÃO PÔDE OU NÃO QUIS PRESTAR DECLARAÇÃO NAQUELE MOMENTO].
CONSEQUÊNCIAS APARENTES E ATENDIMENTO INICIAL
6. Consequência aparente ou queixa relatada no momento do registro: [DESCREVER SEM DIAGNÓSTICO MÉDICO, POR EXEMPLO: DOR RELATADA, ESCORIAÇÃO APARENTE, MAL-ESTAR, AUSÊNCIA DE LESÃO APARENTE OU OUTRA INFORMAÇÃO].
6.1. Medidas imediatas adotadas: [DESCREVER PRIMEIROS SOCORROS, INTERRUPÇÃO DA ATIVIDADE, ISOLAMENTO DA ÁREA, ACIONAMENTO DE EMERGÊNCIA, CONTATO COM FAMILIAR, REMOÇÃO OU OUTRAS MEDIDAS].
6.2. Encaminhamento realizado: [INFORMAR SERVIÇO DE SAÚDE, UNIDADE DE ATENDIMENTO, PROFISSIONAL RESPONSÁVEL, RETORNO PARA CASA ACOMPANHADO, PERMANÊNCIA NO LOCAL OU OUTRA PROVIDÊNCIA].
6.3. Afastamento ou orientação de não continuidade da atividade na data: [SIM/NÃO]. Observações: [DESCREVER].
TESTEMUNHAS E PESSOAS QUE PRESTARAM INFORMAÇÕES
7. Testemunha ou informante 1: [NOME COMPLETO], CPF: [CPF], função: [FUNÇÃO], setor: [SETOR], contato: [TELEFONE OU E-MAIL]. Declaração ou informação prestada: [RESUMO OBJETIVO].
7.1. Testemunha ou informante 2: [NOME COMPLETO], CPF: [CPF], função: [FUNÇÃO], setor: [SETOR], contato: [TELEFONE OU E-MAIL]. Declaração ou informação prestada: [RESUMO OBJETIVO].
7.2. Outras pessoas presentes ou comunicadas: [NOMES, FUNÇÕES E FORMA DE PARTICIPAÇÃO].
EVIDÊNCIAS E DOCUMENTOS RELACIONADOS
8. Foram identificados os seguintes documentos, registros ou evidências relacionados à ocorrência: [FOTOGRAFIAS DO LOCAL, REGISTRO DE CÂMERA, CONTROLE DE ACESSO, ORDEM DE SERVIÇO, REGISTRO DE TREINAMENTO, FICHA DE EQUIPAMENTO, RELATÓRIO DE MANUTENÇÃO, DECLARAÇÃO OU OUTROS].
8.1. Local de guarda e responsável pelo acesso às evidências: [DESCREVER]. O compartilhamento de informações pessoais e dados de saúde, se existentes, deverá ocorrer somente com pessoas autorizadas e na medida necessária à finalidade deste registro.
MEDIDAS PREVENTIVAS E PROVIDÊNCIAS POSTERIORES
9. Como medida imediata de prevenção, foram adotadas as seguintes providências: [DESCREVER, COMO INTERDIÇÃO DE EQUIPAMENTO, SINALIZAÇÃO, TROCA DE ITEM, SUSPENSÃO DE ATIVIDADE, ORIENTAÇÃO À EQUIPE OU OUTRA].
9.1. Providências complementares necessárias: [DESCREVER INVESTIGAÇÃO, MANUTENÇÃO, TREINAMENTO, REVISÃO DE PROCEDIMENTO, AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTO, AVALIAÇÃO TÉCNICA OU OUTRA].
9.2. Responsável pela providência: [NOME COMPLETO E CARGO]. Prazo previsto: [DATA OU PRAZO]. Forma de acompanhamento: [DESCREVER].
OBSERVAÇÕES SOBRE COMUNICAÇÕES E REGISTROS APLICÁVEIS
10. Este relatório possui finalidade de registro interno e não substitui comunicações, formulários ou procedimentos legalmente exigidos. A empresa deverá avaliar, conforme as informações disponíveis e a orientação técnica ou jurídica aplicável, a necessidade de emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho, comunicação a autoridades, atualização de registros internos e demais providências pertinentes.
10.1. Registro sobre a avaliação de comunicações aplicáveis: [DESCREVER PROVIDÊNCIA ADOTADA, RESPONSÁVEL E DATA].
DECLARAÇÃO DE FIDELIDADE DO REGISTRO
11. O presente relatório foi elaborado com base nas informações disponíveis até o momento de sua emissão. Eventuais dados posteriores, declarações, documentos e conclusões técnicas deverão ser registrados em complemento identificado, com indicação da data, do responsável e da fonte da informação. Este documento não contém conclusão definitiva sobre causa, culpa, responsabilidade ou diagnóstico médico.
[CIDADE] – [UF], [DIA] de [MÊS] de [ANO].
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[NOME COMPLETO DO RESPONSÁVEL PELO RELATÓRIO]
[CARGO] – CPF: [CPF]
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[NOME COMPLETO DO GESTOR OU RESPONSÁVEL PELA REVISÃO]
[CARGO] – CPF: [CPF]
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[NOME COMPLETO DO TRABALHADOR ENVOLVIDO]
CPF: [CPF]
CIÊNCIA DO TRABALHADOR
12. Declaro que recebi ciência deste registro. Minha assinatura representa ciência quanto ao documento e não implica concordância com informações que eu venha a contestar formalmente.
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[NOME COMPLETO DO TRABALHADOR]
CPF: [CPF]
TESTEMUNHAS DA ELABORAÇÃO OU DA CIÊNCIA, SE APLICÁVEL
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[NOME COMPLETO DA TESTEMUNHA 1]
CPF: [CPF]
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[NOME COMPLETO DA TESTEMUNHA 2]
CPF: [CPF]
Como preencher o relatório passo a passo
Preencha o documento com calma, em linguagem simples e objetiva. Quando houver informação ainda não confirmada, indique isso expressamente. Não altere fatos para acomodar suposições ou expectativas de qualquer envolvido.
- Identifique a empresa e o registro. Informe razão social, CNPJ, endereço, número interno do relatório e área responsável.
- Qualifique o trabalhador. Registre nome, CPF, função, setor, horário de trabalho e vínculo informado nos registros da empresa.
- Indique momento e local. Anote data, horário, endereço, setor, posto de trabalho e atividade em execução.
- Narre os fatos em ordem cronológica. Descreva o que foi informado ou observado, sem atribuir culpa e sem usar expressões vagas como “por descuido”.
- Registre consequências e atendimento. Informe lesão aparente, queixa relatada, primeiros socorros, serviço acionado e encaminhamento, sem inserir diagnóstico sem fonte adequada.
- Relacione evidências e pessoas presentes. Identifique testemunhas, equipamentos envolvidos e documentos ou imagens disponíveis, observando a privacidade dos envolvidos.
- Defina providências. Registre medidas urgentes, investigação complementar, revisão de procedimento, treinamento ou manutenção necessária.
- Colha validação interna. O responsável pela elaboração e o gestor competente devem datar e assinar o relatório. Se o trabalhador quiser declarar algo, sua manifestação pode ser anexada.
Tipos e variações de relatório
Não existe um único formato aplicável a todas as empresas. O melhor modelo depende do porte da organização, do nível de risco da atividade e do procedimento interno de segurança e saúde.
Relatório inicial de ocorrência
É preparado logo após a ciência do fato. Reúne informações urgentes, medidas de proteção e dados básicos para encaminhamento. Pode ser complementado quando surgirem novos elementos.
Relatório de investigação interna
É mais detalhado e costuma analisar sequência de eventos, condições ambientais, procedimentos, treinamento, equipamentos e possíveis ações corretivas. Deve distinguir fatos, depoimentos e conclusões técnicas.
Registro de quase acidente
É utilizado quando não houve dano ou lesão, mas existiu potencial de ocorrência grave. Esse registro é valioso porque permite agir preventivamente antes que aconteça um acidente.
Relatório para terceiros
Quando o trabalho ocorre em estabelecimento de cliente, condomínio, obra ou tomador de serviços, pode haver necessidade de comunicação entre as organizações. Nesse caso, evite compartilhar dados pessoais e de saúde além do estritamente necessário.
Cuidados e erros comuns ao registrar a ocorrência
O relatório poderá ser consultado por gestores, auditores, autoridades ou pelas próprias pessoas envolvidas. Portanto, escreva de maneira respeitosa, verificável e coerente com os documentos existentes.
Evite os seguintes erros:
- atribuir culpa ao trabalhador, a colega ou a terceiro antes de apuração adequada;
- registrar diagnóstico médico sem documento ou sem autorização para acesso à informação;
- omitir horário, local específico, atividade executada ou providência adotada;
- usar termos ofensivos, opiniões pessoais, ironias ou juízos de valor;
- deixar de registrar que determinada informação foi relatada por testemunha, e não observada diretamente;
- alterar a versão original sem identificar a data, o responsável e o motivo da complementação;
- compartilhar o documento em grupos, e-mails amplos ou canais sem controle de acesso;
- confundir o relatório interno com comunicação legal obrigatória ou com prontuário médico.
Guarde o documento conforme a política de retenção aplicável e limite o acesso aos responsáveis. Havendo indícios de acidente grave, afastamento, incapacidade, morte, controvérsia sobre os fatos ou risco de responsabilização, busque orientação de profissional especializado.
Perguntas frequentes sobre relatório de acidente de trabalho
O relatório de acidente de trabalho substitui a CAT?
Não. O relatório é um registro interno; a CAT é uma comunicação com finalidade previdenciária. Quando a emissão da CAT for aplicável, o relatório pode auxiliar no levantamento das informações, mas não substitui o procedimento legal.
O trabalhador precisa assinar o relatório?
Não há uma regra única para toda situação. A assinatura do trabalhador pode comprovar ciência ou registrar manifestação, mas não deve ser usada para constrangê-lo a concordar com fatos que contesta. Havendo recusa, registre objetivamente a circunstância, preferencialmente com testemunha.
Quem deve preencher o documento?
Em geral, o superior imediato, representante de recursos humanos, profissional de segurança e saúde no trabalho ou outro responsável definido pela empresa. O ideal é que quem redige diferencie claramente o que observou do que foi informado por terceiros.
É possível fazer o relatório depois do acidente?
Sim. Ele deve ser elaborado tão logo a empresa tenha ciência do evento. Se não for possível reunir todos os dados de imediato, faça o registro inicial e inclua complementos identificados, sem apagar ou reescrever silenciosamente a informação original.
Devo anexar fotos e atestados médicos?
Fotos do local, equipamento ou condição de risco podem ser úteis, desde que obtidas e armazenadas de forma responsável. Atestados e dados médicos merecem controle de acesso reforçado, pois podem conter informações pessoais sensíveis. Anexe somente o que for necessário à finalidade do registro.
O que fazer se houver divergência entre os relatos?
Registre cada versão com indicação de autoria e data, sem escolher uma como verdadeira sem elementos suficientes. A apuração pode incluir entrevistas, análise de documentos, registros de acesso, manutenção de equipamentos e avaliação técnica pertinente.
Como usar o modelo editável desta página
O modelo editável desta página foi estruturado para servir como registro inicial e administrativo. Substitua todos os campos entre colchetes pelas informações corretas, elimine trechos que não se aplicarem e acrescente campos internos exigidos pela empresa, como código de setor ou número de ocorrência.
Antes de assinar, releia a narrativa com atenção. Confirme se os fatos estão em ordem, se os encaminhamentos foram anotados e se informações de saúde ficaram restritas ao necessário. O documento deve retratar a ocorrência com precisão, não produzir uma conclusão antecipada.
Referências
Vídeo explicativo
Sobre o autor
Stefano Barcellos
Editor e curador de modelos de documentos
Stefano Barcellos é editor do MSG Center e responsável pela curadoria dos modelos de documentos publicados no portal, com foco em linguagem clara, estrutura organizada e atualização constante do conteúdo.